Este artigo explica como posicionar corretamente o Smart Trac em diferentes tipos de ativos rotativos. É destinado a técnicos e engenheiros responsáveis pela instalação dos sensores em campo. A posição do sensor afeta diretamente a qualidade dos dados de vibração coletados e, consequentemente, a precisão dos Insights gerados pela plataforma. Um sensor mal posicionado pode gerar leituras imprecisas, falsos alertas ou falhar em detectar problemas reais no ativo.
Antes de começar
Antes de posicionar o Smart Trac, garanta que:
Você já leu o guia de fixação do Smart Trac. Posicionamento e fixação são etapas distintas, e este artigo cobre apenas onde colocar o sensor, não como fixá-lo.
O ativo está identificado e você sabe qual é o tipo (motor elétrico, bomba centrífuga, redutor, etc.).
Você tem acesso físico aos pontos de monitoramento recomendados (próximos aos mancais).
O Smart Receiver já está instalado e dentro do alcance, ou você sabe onde ele será instalado.
Importante: Se você posicionar o sensor antes de fixá-lo, valide a posição uma última vez antes da fixação definitiva. Reposicionar um sensor já fixado pode danificar a superfície do ativo ou a base do sensor.
Princípios gerais de posicionamento
Antes de ver os casos específicos por tipo de ativo, entenda as duas regras que se aplicam a qualquer instalação.
1. Alinhe o sensor aos eixos X, Y e Z do ativo
O Smart Trac possui três eixos internos (X, Y e Z) que devem ser alinhados com as direções do ativo:
Direção axial: paralela ao eixo de rotação da máquina.
Direção radial (vertical): perpendicular ao eixo, apontando para cima.
Direção horizontal: perpendicular ao eixo, no plano horizontal.
A regra prática: pelo menos um dos eixos do sensor deve estar alinhado com a direção axial do ativo. Idealmente, os outros dois eixos ficam alinhados com as direções radial e horizontal.
2. Mantenha a identificação do sensor visível
Ao escolher qual lado do sensor encostar no ativo, posicione-o de forma que a identificação (etiqueta com nome e código do Smart Trac) fique visível após a fixação. Isso facilita manutenções futuras, substituições e auditorias.
Avaliação dos eixos do sensor
Existem 3 referências para alinhar os eixos do sensor em relação ao eixo do ativo. Qualquer uma delas é válida, desde que um dos eixos do sensor esteja alinhado com a direção axial do ativo (indicada pela linha tracejada verde nos diagramas).
Referência 1
O sensor é fixado lateralmente no mancal, próximo ao eixo do ativo. Dependendo da rotação do sensor, o eixo Y ou X coincide com a direção axial.
Variação A — Eixo Y alinhado à direção axial: o sensor é fixado de modo que o eixo Y aponte para fora, na mesma direção do eixo do ativo.
Variação B — Eixo X alinhado à direção axial: mesma posição física, mas com o sensor rotacionado 90° para que o eixo X coincida com a direção axial.
Referência 2
O sensor é fixado na extremidade do eixo do ativo, com o eixo Z apontando na direção axial. As duas variações mostram orientações possíveis dos eixos X e Y.
Em ambas as variações, o eixo Z é o que está alinhado à direção axial.
Referência 3
O sensor é fixado no topo do mancal. Dependendo da rotação do sensor, o eixo Y ou X coincide com a direção axial.
Variação A — Eixo Y alinhado à direção axial: o sensor é fixado no topo, com o eixo Y apontando na direção do eixo do ativo.
Variação B — Eixo X alinhado à direção axial: mesma posição superior, com o sensor rotacionado para que o eixo X coincida com a direção axial.
💡 Dica: Sempre que possível, escolha a referência que permita fixar o sensor em uma superfície plana e próxima ao mancal. Superfícies irregulares comprometem a fixação e a qualidade da leitura.
Posicionamento por tipo de ativo
O Smart Trac monitora mais de 30 tipos de ativos rotativos. Abaixo estão os casos mais comuns. Se o seu ativo não estiver listado, siga os princípios gerais acima e use como referência o ativo mais semelhante ao seu.
💡 Dica: Em caso de dúvida sobre um ativo específico, contate o time de Sucesso do Cliente antes da instalação. Reposicionar sensores após a fixação consome tempo e pode danificar superfícies.
Motor elétrico
Orientação dos eixos: instale o sensor com o eixo Z na direção vertical do equipamento. Os eixos X e Y devem ficar alinhados com as direções horizontal e axial, respectivamente.
Se não for possível alinhar o eixo Z com a direção radial, instale o sensor de forma que pelo menos dois eixos estejam alinhados com as direções vertical e horizontal.
Pontos de monitoramento: é essencial monitorar dois pontos próximos aos mancais:
Lado Acoplado (LA) — lado onde o motor se conecta ao equipamento acionado.
Lado Oposto ao Acoplado (LOA) — lado contrário, geralmente onde fica o ventilador do motor.
Essas posições oferecem maior sensibilidade na detecção de falhas, pois melhoram a transmissão das vibrações do motor para o sensor.
Redutor de eixos paralelos
Pontos de monitoramento: instale um sensor por eixo, o mais próximo possível dos rolamentos correspondentes.
Monitore o eixo de entrada e o eixo de saída.
Para cada estágio adicional de redução, instale um sensor adicional próximo aos mancais do eixo intermediário correspondente.
Essa configuração permite detectar falhas associadas a cada estágio do sistema separadamente, em vez de apenas identificar que "algo está errado" no redutor como um todo.
Bomba centrífuga
Pontos de monitoramento: existem dois pontos principais.
Lado Acoplado (LA): instale o sensor o mais próximo possível da carcaça do mancal. Garante maior sensibilidade às vibrações.
Região próxima às pás: ponto crítico para detectar cavitação, desgaste do impulsor e problemas relacionados aos mancais.
Mancal
Orientação dos eixos: instale o sensor com o eixo Z na direção vertical do equipamento. Os eixos X e Y devem ficar alinhados com as direções horizontal e axial, respectivamente.
Configuração alternativa: também é aceitável instalar o sensor com o eixo Z alinhado ao eixo suportado pelo mancal. Nesse caso, priorize a zona de carga do mancal.
Importante: Para mancais de grande porte (que suportam eixos com diâmetro superior a 50 cm), a montagem vertical não é recomendada. Nesses casos, instale o sensor com o eixo Z apontado em direção ao centro do eixo, dentro da zona de carga.
Redutor planetário
Posicione os sensores em pontos estruturais rígidos, que transmitam bem as vibrações da máquina. Os principais pontos de monitoramento são:
Eixo de entrada: instale o sensor no mancal, posicionado radialmente em relação ao eixo.
Estágios planetários: instale o sensor no anel externo de cada estágio, ou em pontos adjacentes que ofereçam rigidez suficiente.
Eixo de saída: a instalação no mancal do eixo de saída é uma opção válida, especialmente para monitorar o estágio final do redutor.
Compressor de parafuso ou de lóbulos
Pontos de monitoramento: monitore ambos os eixos, instalando sensores no Lado Acoplado (LA) e no Lado Oposto ao Acoplado (LOA).
Instale os sensores em pontos estruturalmente rígidos, próximos aos mancais. Isso garante a transmissão precisa das vibrações geradas pelo funcionamento do compressor.
Redutor cônico e de rosca sem-fim
Pontos de monitoramento: instale um sensor por eixo, o mais próximo possível dos mancais correspondentes.
Monitore tanto o eixo de entrada quanto o de saída de cada estágio. Essa configuração permite detectar:
Desgaste de engrenagens.
Desalinhamentos.
Problemas nos mancais.
Bomba reciprocante
Pontos de monitoramento: instale os sensores o mais próximo possível dos mancais do eixo, preferencialmente no Lado Acoplado (LA) ou no Lado Oposto ao Acoplado (LOA).
Esses pontos correspondem às regiões estruturalmente mais rígidas da máquina, o que permite que as vibrações sejam transmitidas com mais eficiência ao sensor.
Soprador de parafuso ou de lóbulos
Pontos de monitoramento: monitore ambos os eixos, com sensores no Lado Acoplado (LA) e no Lado Oposto ao Acoplado (LOA).
Instale em pontos rígidos próximos aos mancais para garantir sensibilidade na detecção de falhas.
Bomba de vácuo de anel líquido
Pontos de monitoramento: instale os sensores próximos aos mancais do eixo, preferencialmente no Lado Acoplado (LA) ou no Lado Oposto ao Acoplado (LOA).
Essas regiões são as mais rígidas estruturalmente, o que melhora a transmissão das vibrações até o sensor e aumenta a precisão na detecção de falhas.
Bomba de engrenagens
Pontos de monitoramento: instale um sensor por eixo, o mais próximo possível dos mancais correspondentes, preferencialmente no Lado Acoplado (LA) ou no Lado Oposto ao Acoplado (LOA).
Esses pontos representam as regiões mais rígidas da bomba e garantem leituras precisas.
Resumo: tabela de referência rápida
Tipo de ativo | Quantidade de sensores | Pontos principais |
Motor elétrico | 2 | LA e LOA |
Redutor de eixos paralelos | 1 por eixo (mínimo 2) | Mancais do eixo de entrada, intermediário(s) e saída |
Bomba centrífuga | 2 | LA e região próxima às pás |
Mancal | 1 | Zona de carga |
Redutor planetário | 3+ | Eixo de entrada, estágios planetários e eixo de saída |
Compressor de parafuso/lóbulos | 2 | LA e LOA de ambos os eixos |
Redutor cônico / rosca sem-fim | 1 por eixo | Mancais de entrada e saída de cada estágio |
Bomba reciprocante | 2 | LA e LOA |
Soprador de parafuso/lóbulos | 2 | LA e LOA de ambos os eixos |
Bomba de vácuo de anel líquido | 2 | LA e LOA |
Bomba de engrenagens | 1 por eixo | LA e LOA dos mancais |
Posicionamento do Smart Receiver
A posição do Smart Receiver impacta diretamente o desempenho dos sensores conectados a ele. Siga estas regras:
Garanta acesso à alimentação elétrica. O Smart Receiver precisa de fonte externa de energia. Não escolha um local sem tomada ou ponto de conexão próximo.
Não instale dentro de painéis elétricos metálicos. O metal bloqueia o sinal entre o receiver e os sensores.
Respeite o limite de 100 dispositivos por receiver. Esse número pode ser menor dependendo da topologia da planta (paredes, distância, interferências).
Para o passo a passo completo de instalação do receiver, consulte o Guia de Instalação do Smart Receiver.
Problemas comuns
Sintoma: Os Insights gerados parecem imprecisos ou inconsistentes após a instalação.
Causa provável: sensor mal posicionado, com nenhum eixo alinhado à direção axial do ativo.
Solução: verifique a orientação dos eixos X, Y e Z em relação ao ativo. Reposicione o sensor seguindo os princípios deste artigo.
Sintoma: O sensor não está se comunicando com o Smart Receiver.
Causa provável: o Smart Receiver está instalado dentro de um painel metálico ou muito distante do sensor.
Solução: reposicione o receiver para fora de painéis metálicos e dentro do alcance da topologia da sua planta.
Sintoma: Não consigo identificar o Lado Acoplado (LA) e o Lado Oposto ao Acoplado (LOA) no meu ativo.
Causa provável: o ativo não tem identificação visual clara, ou é um equipamento atípico.
Solução: o Lado Acoplado é o lado onde o motor se conecta ao equipamento acionado (via acoplamento, polia, ou correia). O Lado Oposto é o lado contrário, geralmente onde fica o ventilador no caso de motores. Se ainda houver dúvida, contate o time de Sucesso do Cliente.
Se o problema persistir após seguir os passos acima, entre em contato com o suporte da Tractian.
